sábado, 15 de julho de 2017

Grito negro


Grito negro

Moisés António

Solto a minha voz num tom alto
recebo
o eco
Palavras minhas
...morrem em orelhas mocas...

Eu sou o negro
Negro
ou preto como o breu?
Ah sou filho
Filho d'Angola
Angola de Ngola Kiluanje
Angola da Mãe África
Da pele negra
Massacrada
Ensanguentada
Confundida com o selvagem!
Afinal quem é o selvagem?
A cor negra, preta
...que não me define?
ou a mente preta que mal me define como selvagem?
Tem
Existem palavras
caracteres que me aleijam o coração
Preconceito
Racismo
Indiferença...
Grito Negro
Em tom da voz
num elo
Que ouço aplausos num eco
do meu eu!
Ah eu sou negro
do solo negro
De mentes puras
Que uniu as nações num Todo!
Sou filho da África
Grito negro em alta voz...
de MARTIN LUTHER KING
" Eu tenho um sonho dum mundo melhor,
onde os meus filhos não serão julgados pelas suas cores,
mas sim pelas suas personalidade".

Grito Negro
como filho da África
Na voz de MADIBA Pai da África
NELSON MANDELA
" A winner is a dreamer who never gives up"
O vencedor é um sonhador que não desiste!
Grito Negro
....Na voz de Moisés António..
Eu sou o Mandela,
Eu sou o ML. King
Eu sou o Negro!



Eu vou

Entre o céu e o inferno
Nuvens pretas e claras
Entre rosas e espinhos
Mesmo passando-me por despercebido entre as multidões
Cambaleando,
Rastejando,
Faltando-me forças
Caminhar eu vou!
Em plena pachorra
Despercebido
Indiferenciado
Julgado na cor entre ela e o intelecto
Entre curvas e linhas tortas feito labirinto
Enigmático
Metafísico
Apocalíptico
Completando a minha inquietude
Onde as oportunidades aparecem,
Vendadas de véus tenebrosos escuros como o breu,
querendo eu,
Me cobram algo em troca
Exatamente aquilo que me falta,
Entre vendaval e o furacão
Maremoto e o terremoto
Na minha pachorra
Mesmo vivendo o incerto
A caminhar eu vou!
Sem teto no relento
Enfrentando o frio do inverno
Um grito eu darei, ainda que rouco
Enfraquecido
Semi -morto
Excluído e indouto
Acalentar-me-ei
Engolindo meu choro
Na vontade de ainda querer viver
Mesmo quando não mais me restar a mera vontade
de querer acordar
Após ter adormecido!
Entre chuva e sol; Trevas e clareza;
Inverno e verão; Céu e o inferno
A Caminhar eu vou!


O Poeta..
O poeta canta
O poeta declama
O poeta reclama
O poeta chora
O poeta é Poeta
Mesmo quando as lágrimas não jorram
Ele as faz cair na tinta da sua caneta!!
Eu sou Poeta
Ainda que mudo em pleno silêncio
A minha caneta fala por mim!
CUIDADO!
Minha Arma - Não é um canhão
Mas quando ela dispara...
Ela aterra até os grandãos!





Essa vida.

Essa vida que vivo
Não é minha
Foi me imposta
Porque não a escolhi é pesada no meu ombro!
Se eu tivesse que escolher
Entre o bom e o melhor
Nem esse seria o meu eleito desejo
do meu querer de bem viver o dia todo!
Sou benfazejo
Querendo ensejo
que complemente meu desejo
de querer viver no mundo do meu sonho!
Tenho carácter
Mas me falta o brio
Porque o meu mundo é sombrio
Vivendo o desamor!
Amor...
Não é isso que os céus nos cobram?
Mas quem o tem o mundo desdenha
E vive o terror?!
De que valem minhas boas intenções
Se não houverem ações
Por falta do que é material e físico
Tornando-me num homem fictício?
Sem dinheiro
Meu amor é nada
Ai de mim se eu for um zero a esquerda!
Este seria o meu enterro!
A vida que eu tenho, Não é minha
Porque não a escolhi
Ela foi-me imposta!


Mesmo no escuro achei a minha paz

Durmo em sono brando
No meio do lago escuro
no meu barco a solo
Embora a sós a beira-mar
Perto do mar
Longe do amor
Querendo amar
Mas sem ninguém para amar
Encontrei a minha paz!
Na solidão
Na incerteza da vida
Ainda que sem luz
No escuro
Em plena inquietude
Descobri a tranquilidade
quando menos me preocupei
Então achei a minha paz!
Jurei comigo mesmo
Ainda sem que
Nem quem
Mesmo no além sem ninguém,
Procurei não me importar mais
Então achei a minha paz!
Na solidão dentro do meu quarto
Mesmo no escuro
No meu mundo vago
Despreocupado
Mesmo sem nada nem ninguém
Eu encontrei a minha paz!

XXX



Moisés António é angolano destacando-se como poeta e narrador de lendas e mitos de sua terra natal.  Traz ao Brasil sua diversidade cultural e linguística, amparadas pela formação em Língua e Literatura em Língua Inglesa, ofertada pela Universidade Pública Agostinho Neto de Luanda, Angola. Compõe a trajetória profissional de Moisés, aulas intensivas de Inglês para membros de grupos corporativos, traduções da Língua Inglesa para a Língua Portuguesa e também da Portuguesa para a Inglesa, além de serviço de interprete. Como Artista e autor, participa de vários eventos poéticos e musicais, denominados Saraus e oficinas da Poesia Permanente Paranaense, Feira do Poeta entre os escritibas na rua em Curitiba, e entre outros eventos ligados à Imigração como o “Planeta é um só”, aonde além de fazer parte das atividades lá realizadas, tem recebido o convite para declamar seus poemas.


        


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