quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Allegro ma non troppo

Allegro ma non troppo

Paulliny Gualberto Tort


As árvores retorcidas tinham cor de doce de abóbora. Pareciam deliciosas e, se eu fosse um gigante, teria devorado cada uma delas. Era bom o farfalhar de suas folhas quebradiças, o aspecto grotesco dos seus braços de madeira sempre desalinhados, que eu mastigaria com voracidade. Às vezes, uma folha se desprendia do galho torto, rodopiava no ar e caía sobre uma lápide, fazendo montes sobre os túmulos. Eu caminhava lento naquele tapete de grama seca, cascas e húmus. Cada passo fazia um som crocante, como se estivesse me equilibrando sobre uma imensa camada de crème brûlée. E me dava vontade de devorar o chão. De vez em quando alguém tossia. Minha mãe fungava as lágrimas. E uma tia que eu nunca tinha visto girava o terço de cristal entre os dedos da mão direita, tilintando as contas que se chocavam umas contra as outras durante a reza. Tim-tim. Brindavam a cada ave-maria. O resto era silêncio. E o silêncio, esse sim, eu devorava. Quando o coveiro derramou a última pá de terra sobre a laje de cimento, percebi que não veria mais meu pai.

         O velho se somara às raízes. Aos mortos. Aos mortos e às lágrimas, que minha mãe despejava sobre a terra seca. Durante o velório, fui o ombro que ela molhou e o braço a que se agarrou para permanecer de pé enquanto o padre dava prosseguimento ao protocolo da morte. Do pó vieste e ao pó voltarás. O religioso citou esse versículo durante o sermão. Percebi que também era o epitáfio de um túmulo já esquecido, de cimento esburacado, vizinho ao do meu pai. O epitáfio do meu velho era mais narcisista: Dr. Roberto Pompeu: senador, esposo e pai amantíssimo. Saudades eternas, tudo em letras douradas, afixadas sobre o mármore grafite. Não sei o que deu na minha mãe para inventar um epitáfio daqueles. Doutor Roberto Pompeu, eclipsando o da Silva que arrematava o nome. Chamava-se Roberto Pompeu da Silva. Será que até entre os cadáveres os títulos têm tanto valor quanto entre nós? Não sei. Porque, sinceramente, não acredito em nada.

Durante o velório, as pessoas tinham se aproximado e me abraçado dizendo que ele finalmente descansara. Que estava junto de deus e todas essas coisas que dizem quando alguém morre. Por cortesia, faziam cara de cachorro espancado: derrubavam os olhos, os cantos da boca, as bochechas. Precisavam se alinhar à dor de quem estava sofrendo de verdade. Rezavam também. Rezavam em coro, em círculo, em redor do caixão. Glória ao pai como era no princípio, agora e sempre. Amém. Mesmo sem acreditar em nada, eu respondia. Amém. Eu só queria que tudo acabasse rápido, que eu pudesse ir para casa, que eu pudesse fumar um baseado, que eu pudesse... Não é que eu não tivesse chorado pela morte do meu velho. Que, dentro de mim, uma parte quisesse crer na continuidade da vida. Mas nenhuma consolação me serviria naquele momento, quando tinha acabado de vê-lo sem vida dentro do caixão.


Não tive coragem de tocá-lo. Nunca vou saber como era a consistência da carne do meu pai morto. Minha mãe e tias e primas, ao contrário, fizeram questão de acariciar suas têmporas, suas bochechas, suas mãos cruzadas sobre o ventre, como se ele ainda pudesse sentir o calor dos afagos. Faziam isso com uma ternura que eu nunca tinha visto antes. Nem quando o velho estava agonizando no leito do hospital, quando talvez ele mais tenha precisado de carícias. De todos aqueles dedinhos delgados e femininos, perfumados, deslizando sobre a pele, afastando as mechas de cabelo, massageando o tecido flácido do rosto. Mas elas preferiram fazer carinho no defunto, que começava a se desmanchar sob a ação dos germes.

Eu não queria estar ali. Tive a impressão de que meu pai estava meio deformado no caixão. O rosto parecia esparramado, inchado. E, com o passar das horas, as mãos começaram a se encher de líquidos. No final, temi que a pele não resistisse e se rompesse, para o terror de todos, para o meu próprio terror. Fiquei imaginando os caras da funerária que mexeram nele. Revoltava-me a ideia de que alguém tivesse rido dele naquele estado. Sem intestinos, sem dentes, todo fodido. Não conheço o caráter das pessoas que receberam o corpo do meu pai e o prepararam para aquele ritual horroroso, mas torci para que não tivessem rido, que não tivessem sido cruéis, nem ignorado o sofrimento dele. Era só um corpo, eu sei. Mesmo assim, eu queria que respeitassem a carcaça do meu velho. Não por ele ter sido senador, deputado ou o caralho a quatro. Mas porque ele morreu solitário, doente. Isso deve valer de alguma coisa. Para mim, valia.

Meu pai havia se pronunciado para multidões, lutado pelas diretas, conhecido presidentes. No entanto, sua morte foi tão silenciosa e discreta quanto outras que ocorreram no mesmo C.T.I., nas horas tristes da madrugada. Ligaram no celular da minha mãe, às duas horas da manhã, para comunicar a morte do velho. E ninguém deu os parabéns pelo sujeito excepcional que havia sido. Apenas lamentaram a despedida, do mesmo jeito que certamente haviam lamentado dezenas, centenas de outras mortes presenciadas naquele lugar. Depois o diretor do hospital telefonou para dar os pêsames de modo mais político, mas quem esteve lá, limpando o sangue, a merda e o catarro que saíam dele, não viu diferença. Gente é isso. Um corpo em relação aos demais. O que se faz no mundo, finda como tudo. Finda como as folhas cor de abóbora que vi caindo no cemitério sobre a sepultura luxuosa do meu pai. De onde saímos em caravana até o estacionamento e demos prosseguimento aos nossos dias, que a partir de então aconteceriam na ausência dele. No fundo, todos sabíamos que logo surgiriam folhas novas, de superfície acetinada, e que os mortos ficariam no passado. As árvores continuam a existir após o despencar das folhas secas. É o que tento dizer agora para minha mãe. Velha, a vida é um outono.

Xxx




Paulliny Gualberto Tort é escritora, jornalista e mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade de Brasília. Especialista em jornalismo literário, produz e apresenta o Marca Página, programa sobre Literatura veiculado pela Rádio Nacional (AM 980 e FM 96,1). Autora de ficção, teve contos publicados em revistas e blogs diversos. É colunista da rede de autores Ornitorrinco e já foi editora de Literatura do blog de notícias O Cafezinho. Em 2008, integrou a coletânea com os 10 melhores contos do Prêmio Maximiano Campos de Literatura. Publicou seu primeiro romance, Allegro ma non troppo, pela editora Oito e Meio em 2016. Naquele ano, o livro foi mencionado como um dos 20 melhores lançamentos de editoras independentes pelo site especializado LiteraturaBr. Em 2017, fez parte da produção e da curadoria da Movida Literária, evento que reuniu autores em bares e cafés de Brasília. Hoje, dedica-se, entre outros prazeres, à escrita de seu segundo romance.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Biblioteca que inventei

Biblioteca Lapidea, Karl Chilcot

A Biblioteca que inventei

Ricardo Queiroz Pinheiro


Ao navegante, entretanto, jamais acomodar-se.
É preciso, ao seguir-se a rota, apressá-la,
Ser mais ágil que o rio
E colher a cidade antes que seu leito o faça.
Trecho de “O Homem É o Rio, o Rio É o Mundo”  –  Jose Carlos Capinan


O meu bairro ainda era bacana. As ruas mesclavam o já antigo paralelepípedo com o moderno asfalto. Mas não eram ainda ruas de verdade. No sentido de ruas onde só se passam carros, realmente, elas não eram de verdade. Minguavam os carros e os jogos de rua dominavam. A meninada ficava contente. Todo mundo solto inventando sua infância. Claro, os tempos permitiam isso, o passar das horas era outro e os temores bem diferentes.

No meio do embate futebolístico era só dois carros passarem em sequência, que vinha a frase:
– Isso aqui tá parecendo rua – logo depois o jogo seguia em paz.
O bairro, a rua, a vida era toda nossa.

Futebol, Candido Portinari, 1935

O meu bairro era bonito e o que não estava nele parecia distante. Sair de lá, era ir ao centro, ir à “cidade”, os outros bairros eram apenas passagem, me bastava o meu. Dois três quilômetros e já mudava a referência. O centro. Os prédios eram diferentes, as pessoas passavam bem rápido. Era outro tempo, era um tempo diferente das ruas vazias onde carros eram exceções. Tudo envolvia mistério. A cidade era a “cidade”.

Tinha a pastelaria, os armarinhos, as lojas de roupas de senhores e senhoras. As lojas de sapato, onde ficava os tênis, entre eles o Kichute para dar os (mal) tratos à bola. Ir ao centro era coisa especial. Cada rua do centro tinha sua história verdadeira, inventada, não era diferente no bairro, mas no centro tudo era maior. Cada lugar tinha sua marca.

Havia prédios que não se apresentavam tão facilmente, não se destacavam, não eram óbvios. Não tinham placas evidentes, nem produtos a mostra, quase nunca tinha gente em frente deles. Poderiam ser qualquer coisa, coloridos, sem cor, sisudos, simpáticos, abandonados. Prédios sem nome.

Um deles tinha um jardim no entorno e portas de vidro. Não sabia o que era muitas vezes passava em frente de ônibus e ele ainda não despertara qualquer curiosidade. O que se fazia o que tinha dentro desse prédio, não era facilmente identificável. De longe eu podia distinguir móveis cinza que não contrastavam com a cor cinza externa. Era uma massa só, homogênea.

Um dia cheguei perto e pude ver uma roleta, para além dela, uma senhora com um olhar atento, e lá no meio de tudo, livros. Não passei a roleta, fiquei parado, envergonhado, curioso, mas sem força para entrar.  Era a biblioteca pública. Demorei a entender o que rolava. Capítulo grande da minha história começava ali.
Na minha escola tinha algo chamado biblioteca. Era sempre fechada ou restrita. Não despertava interesse de ninguém. Lembro-me da única vez que entrei sem hesitar e não foi bom, nada bom. A pessoa que lá estava ensaiou um grunhido querendo ser palavra e instantaneamente atingiu seu objetivo. Saí dali rapidamente. Biblioteca para mim passou a ser um impedimento.

Claudio Parmiggiani

A biblioteca pública era o prédio que eu não identificava. Era algo a se entrar, mas tinha o tal nome do impedimento: biblioteca.

O ônibus que passava perto da biblioteca tinha ponto final bem perto de casa.  Com ele seria rápido chegar, quinze, vinte minutos. Tinha a opção de ir a pé. Gostava mais dessa. Passar em frente ao Corpo de Bombeiros, depois o hotel grande, subia um pouco e saía defronte ao cemitério. Perto do cemitério, moravam a avó e os tios. Mais abaixo tinha a prefeitura, logo em frente às três ruas que compunham o centro. A terceira rua mais a direita, era a mais estreita, bem no meio dela, a biblioteca.

Entrar na biblioteca foi um processo longo, nem sei dizer mais a primeira vez. Foi uma longa primeira vez. Livros de lado, números indecifráveis, assuntos demais. Pessoas quietas, pessoas olhando pros livros, pessoas que atendiam olhando para lugar nenhum.

Sempre alguém olhando e dizendo não. Ao menos a partir daquele momento eu sabia que não era só o prédio cinza. Os livros tinham cor na capa, mas as pessoas ainda eram o cinza.

A primeira pessoa colorida que me atendeu perguntou sem rodeios o que eu queria. É certo que a esta altura nem lembro mais o que pedi. Mas passou a ser algo fora do cinza, colorido, a pessoa, o pedido, a situação, coloriram a biblioteca. Foi um pedido atendido.

Perder o rumo no meio das estantes e descobrir coisas tornou-se um grande barato. Não queria orientação. Desorientava-me diante da organização dos livros perfilados, das mesas alinhadas, dos pedidos de ordem e do silêncio. A mente passava a olhar aquela confusão de informação de uma maneira simpática.

Obviamente, para mim era só confusão, mas hoje consigo emprestar esta poesia. Eram tardes longas onde eu perdia o futebol das ruas protegidas da minha vila. Perdia a bola do jogo e ganhava um espiral de curiosidades.

Intuía sempre que as minhas idas à biblioteca pública eram inúteis, ficava sambando nas estantes, insistia em não pedir ajuda (teimosia) e pegava livros incompreensíveis, mesclados com livros “fáceis” que fizeram minha cabeça.

Não vou citar livros, nomes de autor, isso tudo não importam agora. O que marcou foi esta confusão, parte intencional, parte desavisada, em que eu caía nas minhas tardes de biblioteca. Foi assim que o prédio deixou de ser cinza, que ele foi inventado por mim.

Passado anos, entrei em várias bibliotecas, todas com gostos diversos, de cinzas e coloridos diferentes. Até me tornei bibliotecário. Tantas vezes cinza, outras vezes com cor. Trabalhei em várias delas, cinzentas e com cor.

Vejo a biblioteca ainda hoje dessa maneira. Como algo a desorganizar um mundo paginado, como algo a derrubar uma certeza, limpar a área e construir novos caminhos. A biblioteca é o principio de nossas dúvidas.



Como posso imaginar o passado, como posso ver hoje e construir com o peso da minha vida dentro de bibliotecas, como leitor, como profissional, posso então inventar uma tarde que caberia em qualquer selva de estantes recheadas por livros e meninos perdidos. Posso imaginar que mandava naquela biblioteca, como mandava nas ruas em que jogava o futebol. Posso fazer e falar o que quiser. A fala a seguir cabe em qualquer uma dessas tardes, dessas vidas, desses prédios:

O bibliotecário pede silêncio na biblioteca e o menino rebelde responde:
“Não posso, as palavras fazem barulho na minha cabeça”

Talvez este menino tenha sido eu.

XXX




Ricardo Queiroz Pinheiro, bibliotecário, mestre em Ciência da Informação (USP), atuo em biblioteca pública há 23 anos. Escolhi a mediação de leitura como prática e a política pública como instrumento de trabalho. Estar no front, no atendimento de uma biblioteca pública é um privilégio.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

mundão

mundão
kelly guimarães


ele gostava de estudar, não gostava era da escola. o menino. não gostava de calçar sapato e ficar sentado no banco da classe, olhava pela janela. a professora, dona genuína, queria os meninos todos quietos de olhos abertos e boca parada. mas enquanto ela falava, aquele, o menino, pensava em muitas perguntas, o seu problema era um buraco que tinha na cachola e o querer de caber ali o mundo inteiro.

quando aprendeu ajuntar letras foi o mundo que bateu à sua porta, inundou seu travesseiro, os bolsos do calção, seu café com leite e até o balanço atrás no laranjal. as letras lhe contavam o segredo do mundo e o menino mais podia perguntar e ouvir e ler e pensar. e o menino lia tudo quanto era letra, lia embalagem de macarrão, placa de posto de gasolina e até vidro de remédio.

e bem sentia o gostoso que era saber ajuntar as letras e imaginar as coisas dentro do pensamento, como quando leu as aventuras do avião vermelho que a professora o deixou levar durante as férias.

às vezes ele pensava no mundão de palavras que existia e qual era a serventia de tantas “ será que sobra palavra no mundo que fica sem usá e some na desaparecência da cabeça da gente?”

o menino passava as tardes explorando no quintal de casa, guardava insetos num pote de vidro só para vê-los no esforço de fugir, depois soltava os sobreviventes. num outro guardava coisas quebradas e pedaços de coisas velhas, coisas que ninguém queria mais, pensando que um dia iria grudar umas nas outras e montar uma grande e incrível máquina, que ele ainda não sabia qual era.

ele, o menino, era curioso de saber o que era o cinza grosso no céu antes da chuva cair, como era que a luz acendia na lâmpada e se bem-te-vi entendia o pio do pardal e vice-versa. aliás o menino se perguntava quem foi que um dia inventou o vice-versa, que é esse dizer que a gente usa pra um negócio assim-assim e o outro negoçado assim-assado que podem mudar de lugar pra dizer a mesma coisa e vice-versa.

mas nada que o menino pensava, perguntava ou lia, dava jeito no buraco da cachola, era feito uma frieira no pé, coça e dói, era feito o sentir uma aflição e agonia de maior grandeza que dava fogo nas pernas do menino e ele saia correndo, gritando, pulando barrancos e no fim rolava no chão dando risada. o povo todo olhava aquilo assim “menino doido"; porque ninguém não entendia que a doidera do menino era só vontade grande grande de entrar nas coisas para saber como era ser elas mesmas. uma vontade de desatarraxar os parafusos de tudo para ver o que tem lá dentro e quem foi que disse a primeira vez o nome de uma coisa quando ninguém sabia o nome dela, e se um dia a gente decidisse trocar os nomes e chamar cavalo de sapato, sal de mentira, bonito de feio e vice-versa, aí o pai diria: “menino ajeita o sapato na carroça que nois vamu pra cidade compra mentira!”


esse buraco na cachola do menino, era um sem-fim de imaginar. visava quando a mãe, lembrando de uma saudade, dizia que o coração estava apertado. “será que as tripas dão nó no coração? e quando a saudade puxa muita tristeza é o nó na garganta?” o pai ralhava: “menino vai caçar o que fazê.” e ele: "uai, já to fazeno, to curianZo!” é que as perguntas vinham feito pipoca estourando na panela, algumas até encruavam, era quando o pensamento fazia demasia de idéias que dava um silêncio de perguntação.

esse menino queria mesmo era conhecer o avesso do mundo e encher o buraco da cachola para ver se a coceira passava, mas ele sem saber sabia que tudo que ele via e revirava dava nele o abuso de querer ver um pouco mais, um tiquinhozinho mais, igual uma fome que depois do almoço já começa a pensar na janta. era isto: o menino queria comer o mundo.

“mas o mundo é coisa demais!” pensava. então ele inventou uma estratégia, essa coisa de palavra desconhecida, que era “um negócio que a gente pensa pra saber como é que a gente vai fazer a coisa primeira que a gente pensou”, e a do menino, como uma grande e boa idéia, era que ele iria comer o mundo aos poucos, sem pressa, um teco por vez e nisso os dias passando o fariam crescer e junto com ele cresceria o buraco da cachola, até que um dia, de tão crescido que fosse, o menino, o buraco, finalmente coubessem neles o mundo inteiro.

XXX



kelly guimarães, aprendeu a ler aos sete anos de idade em minas gerais, dos contos de fadas às bulas de remédio, cresceu entre palavras guardadas em livros, mais tarde moradora do riacho grande/sbc, matava aula pra ficar na "machado de assis", biblioteca do bairro. coisou teatro datilografia filosofia moda baralho literatura e crochê. paulista de nascimento, mineira de coração, tem o caos na cabeça escorrendo pelas mãos e vários buracos na cachola: uns transbordantes, outros à espera daquela coisinha com capa miolo e vida para além da vida. estantes.encantamentos.